Conhecida desde há muito como um edifício característico da cidade de Guimarães, a pequena casa que dá lugar à Guest House Vimaranes está localizada no coração do centro histórico, a alma cultural de Guimarães, a poucos passos do Museu Alberto Sampaio, do Largo da Oliveira e da Praça de Santiago.
É uma casa com três pisos e um pequeno pátio exterior, onde parte da muralha ainda se encontra no local. Situa-se numa rua paralela à muralha e é de origem medieval, tendo sido quase totalmente reconstruída no século XVII e parcialmente alterada no interior no século XIX.
A Guest House tem um conceito muito próprio: um espaço simples, acessível, familiar e vivo.
Mumadona Dias
Fundadora do Mosteiro e impulsionadora do crescimento de Guimarães.
Teresa Leão
Mãe de D. Afonso Henriques e figura central na formação do Reino.
Mafalda de Saboia
Rainha consorte que trouxe influência europeia à corte portuguesa.
Constança de Noronha
Representante da nobreza portuguesa e do refinamento cultural da época.
Condessa Mumadona Dias
No século X, a Condessa Mumadona Dias era a senhora mais rica e poderosa da Península Noroeste. Filha dos Condes Diogo Fernandes e Onega, casou-se com o Conde Hermenegildo Gonçalves, com quem teve seis filhos.
Após a morte do marido, em 928, a aristocrata galega Mumadona Dias mandou construir, nas suas terras, Vimaranes, um convento de frades e freiras que se tornou um polo de atração e apego para a população.
Para garantir a defesa do mosteiro e dos seus habitantes contra os ataques dos normandos, que assolavam com grande regularidade a costa portuguesa a partir do norte, e dos árabes, ainda dominantes no sul de Coimbra, mandou construir, em terra e madeira, um forte junto ao mosteiro, na colina que delimita o Alpe Latito, ou como é hoje conhecido, Monte Latito, entre os anos de 959 e 968. Esta fortaleza, ainda muito rudimentar, daria origem ao nosso precioso Castelo de Guimarães.
A Villa Vimaranes desenvolve-se, então, em torno dessas duas forças motrizes: o Convento e o Castelo.
D. Teresa de Leão
No século XI, Teresa de Leão, filha ilegítima do rei Afonso VI de Leão e Castela, criada pela mãe e pelo avô, acabou por ser dada em casamento pelo pai. Henrique da Borgonha, um nobre francês que repetidamente ajudou Afonso VI na guerra de reconquista contra os mouros.
Como dote, o rei ofereceu ao jovem casal o condado de Portucale, território entre os rios Minho e Vouga. Desta união nasceu, em 1111, aquele que viria a ser o primeiro rei de Portugal, D. Afonso Henriques.
Após a morte do marido, D. Teresa assumiu o governo do condado sob a forma de regência em nome do filho. Agarrando-se ao poder com notável determinação, chegou mesmo a autoproclamar-se rainha.
Apesar das pressões da sua meia-irmã D. Urraca, rainha de Castela e Leão, D. Teresa conseguiu negociar o que viria a ser o Tratado de Lanhoso, que salvou o seu governo do Condado de Portugal.
Em 1128, após anos de tensão com o seu próprio filho D. Afonso Henriques, a guerra terminou na Batalha de São Mamede — o primeiro dia de Portugal. Teresa foi obrigada a entregar definitivamente o governo ao filho, encerrando assim uma das histórias mais dramáticas da formação de Portugal.
D. Mafalda de Sabóia e Maurienne
D. Mafalda de Sabóia, Condessa de Sabóia, Piemonte e Maurienne, também conhecida como Matilde, foi a primeira rainha de Portugal, desde 1146 até à sua morte.
Filha do Conde Amadeu III de Sabóia e da sua esposa Mafalda de Albon. Casou-se em 1146 com D. Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal.
Da vida da rainha pouco se sabe, mas fica a ideia de que seria uma mulher de partos difíceis, feitio complicado e de real teimosia. D. Mafalda não primava pela bondade. Pelo menos assim é descrita por vários cronistas, apoiados, por exemplo, nos conflitos constantes entre a rainha e o prior de Santa Cruz de Coimbra, São Teotónio.
Conta-se que, certa vez, se encontrava D. Mafalda em trabalho de parto e quase às portas da morte, mandou chamar o prior. Com a bênção de São Teotónio, a rainha conseguiu ter o filho e sobreviver. Como paga, mandou fazer um quadro em honra de São Teotónio.
Foi, no entanto, esta paz temporária. Querendo, certa vez, D. Mafalda visitar o claustro interior do Mosteiro de Santa Clara, e vendo-lhe negada a entrada pelo prior, para não infringir as regras da instituição, D. Mafalda passou a persegui-lo.
A sua função materna, essa cumpriu-a em pleno. Em apenas 12 anos de casamento, foi mãe de 7 filhos, tendo morrido no parto da última criança, a infanta Sancha, em 4 de Novembro de 1157.
Não constam nenhuns actos notáveis de que tomasse a iniciativa, além das muitas fundações de piedade e penitência que os cronistas lhe atribuem; como, porém, muitas vezes se confunde a mulher de D. Afonso Henriques com a infanta de Portugal e rainha de Castela, do mesmo nome, filha de D. Sancho I, nem todas as fundações que as crónicas lhe atribuem terão sido realmente dela, mas sim da neta.
Também lhe é atribuída a iniciativa da construção de uma ponte sobre o Douro, perto de Barqueiros, e outra sobre o Tâmega. Está sepultada em Santa Cruz de Coimbra junto do marido.
D. Constança de Noronha
D. Constança de Noronha nasceu em Coimbra em 1395, filha de Afonso, Conde de Gijón e Noronha, e de Isabel de Portugal, senhora de Viseu. Os pais de D. Constança de Noronha eram filhos naturais de reis, portanto possuíam ascendente nobre, embora espúrio.
D. Constança de Noronha contraiu matrimónio em 1420 com o Conde D. Afonso de Bragança, em segundas núpcias por parte dele. D. Afonso era filho ilegítimo do Rei D. João I de Portugal, contudo foi reconhecido posteriormente. O Rei D. João I tratou directamente o consórcio entre os dois e assinou o Contrato de Casamento com um dote no valor de treze mil dobras, das quais lhe foram entregues quatro mil no momento.
O Conde possuía, além disso, os títulos nobiliárquicos de 2.º Conde de Neiva, 7.º Conde de Barcelos e Primeiro Duque de Bragança. D. Constança de Noronha foi assim a 1.ª Duquesa de Bragança. Após contraírem matrimónio, viriam a habitar o Paço dos Duques dezoito anos mais tarde.
Adoptou como filho e único herdeiro o seu sobrinho D. Pedro de Meneses, 3.º Conde, Primeiro Marquês de Vila Real e 7.º Conde de Ourém, que casou com D. Beatriz de Bragança.
Sem filhos e dotada de rara beleza e virtuosidade, desde cedo se dedicou à causa humanitária e religiosa, envergando o hábito de S. Francisco e dando apoio aos pobres e doentes de toda a região vimaranense. Após a morte de D. Afonso, em 1461, a primeira Duquesa de Bragança reforçou o seu empenho assistencial e religioso, alternando entre o recolhimento espiritual e a ajuda aos enfermos que regularmente acolhia na sua residência.
Encontra-se sepultada na Igreja de S. Francisco, em Guimarães.